Rehab pós-férias: há vida após o exagero

Férias…diversão, descanso e uns quilos a mais. Não tem jeito: eu exagero nas férias. Saio dos trilhos legal. Ainda mais nos EUA. “Ah, mas nos EUA é difícil comer saudável”. Mentira. É fácil e é barato. Isso de que “lá só se come besteira” é desculpa de gente preguiçosa e desfocada. Tipo eu.

É claro que a profusão dos mais variados e deliciosos tipos de fast food é um convite para a gordura localizada. Mas há muitas opções de restaurantes saudáveis, veganos, vegetarianos e tem o Whole Food – um supermercado enorme e só de produtos orgânicos e naturais, e com variedade e preços bem melhores que os daqui. Mesmo num Walmart da vida tem áreas só de produtos orgânicos, naturais e saudáveis. Sabe os sucos prensados a frio estilo Green People? São muitas as marcas por lá.  E são baratos e fáceis de encontrar. Mas a gente não tem vergonha na cara e pega a Coca-Cola e diz “é o que tem”.  Balela. É o que nosso olho gordo viu. Mas se a gente vai se sabotar, que pelo menos faça isso com consciência.

Opções de sucos saudáveis e naturais que encontramos em qualquer mercado: só toma refrigerante quem quer!
Opções de sucos saudáveis e naturais que encontramos em qualquer mercado nos EUA: só toma refrigerante quem quer!

Eu escolhi ter essa consciência. Eu escolhi ter alma gorda nas férias. E decidi tratar certas comidas como o que elas são: drogas. E tinha plena consciência que estava livin’ la vida loca. Vejam o exemplo da Coca-Cola. Todos sabemos que não traz nenhum benefício para a nossa saúde. Pelo contrário, só faz mal. E por que tomamos? Porque é bom, porque nos dá prazer e porque somos viciados. É droga.

É tipo aquele pó branco que nos dá energia, euforia e muita felicidade – isso mesmo, a farinha de trigo. Alimento pobre, que não serve pra nada além de te dar barriga. Droga pesadíssima. Mas, ainda bem, liberada. Ainda bem. Porque se fosse proibida eu estava agora na boca de fumo comprando pizza.

Para o estrago não ser tanto, tentei me exercitar quando dava. Mil vezes malhar que abdicar de coisas gostosas de comer e beber!
Para o estrago não ser tanto, tentei me exercitar quando dava. Mil vezes malhar que abdicar de coisas gostosas de comer e beber!

O segredo da vida saudável e feliz é saber o que faz bem e o que faz mal, e ter liberdade para, então, fazer sua escolha. A minha é deixar de ter uma relação de vício com essas “comidas do mal” e aprender a fazer uso recreativo delas. O exagero é o problema de tudo na vida. E foi meu problema nas férias: virei a Amy Winehouse do fast food. Eu fui back to black total. E agora, back to reality, é hora de rehab. Back on track.

Como uma mulher perdeu 56 quilos tirando selfies por um ano

Selfies pra que te quero. Mais do que uma moda narcisista, tirar fotos no espelho podem ajudar a gente a emagrecer. Veja o exemplo da americana Justine McCabe, que perdeu 56 quilos e tá sambando na cara das falsianes.

A vida da Justine estava uma merda. E quando eu digo uma merda, era uma merda mesmo. Não o “noooossa, minha vida tá uma merda” que eu e você usamos de vez em quando pra reclamar da nossa rotina. A vida de merda da Justine era “meu marido se matou, eu estou sofrendo pra caralho e não posso nem admitir isso porque tenho dois filhos pra criar e estou obesa”. É, pois é. Tragédia nível hard. Vivendo o luto e sem tempo, Justine se deu conta de seu sobrepeso: ela estava com 141 quilos.

E aí tomou uma decisão. Resolveu fazer todas aquelas promessas de segunda-feira: reeducação alimentar, atividades físicas, vida saudável, eat clean, #foco e #determinação.

“Ok, tentei. Fiz uma semana, me perdi nos docinhos de uma festa infantil e nunca mais me encontrei.”

Mas o que Justine fez pra não sair do caminho? Um compromisso de, por um ano, tirar selfies pra analisar seu progresso. É um truque mental, que funciona mais ou menos como a ideia de anotar tudo o que a gente come. Encarando de perto o desastre no espelho, ficamos mais motivadas a mudar o que nos incomoda.

A primeira foto? Um desastre. No segundo dia? Um horror. E assim foi indo, indo… até que depois de 365 dias ela tinha um flipbook completo de sua evolução. E o resultado? 56 quilos a menos que vocês podem ver no vídeo abaixo, com toda a evolução.

P.S.: Entro de férias e vou viajar e prometo não sair (muito) da linha no próximo mês. Mas sem neuras, sem contar calorias e, nesse tempo, vou até tentar dar umas dicas saudáveis para comer nos EUA. Mas vou logo avisando: vai rolar hambúrguer e batata frita também! Ninguém é de ferro! E, na volta, foco total! Inclusive com o projeto Justine de uma selfie por dia. Vem comigo?

Como um “vai se foder” pode mudar nossa percepção sobre o corpo do outro

Outro dia uma amiga postou o quanto a irrita ter de ouvir “nossaaaa, mas e a saúde?” quando ela, fora dos padrões magricelos das revistas de moda, aparece comendo algo…fat. Ninguém pergunta isso pra alguém magro. Se a Grazi Massafera aparece comendo um hambúrguer, ninguém vai pensar “nossa, como será que está o colesterol dela?” A preocupação com a saúde do gordo esconde muito preconceito. É o tal do body shaming – uma espécie de bullying com seu padrão visual.

Eu não estou magra, mas não sou, nem nunca fui gorda. Ou , pelo menos, não tenho o padrão visual do que consideramos “gordo”. Porém, meu índice corporal de gordura está bem alto, bem mais do que devia, e meu colesterol é um desastre. O que, de fato, representa que sou muito mais ‘gorda’ que muita gente rechonchuda por aí. E menos saudável também.

No site Your Tango, uma americana relata o body shaming que sofreu como um desabafo.

Ela saiu pra jantar e, na volta, comprou cookies.

(Muita gente já para e pensa: “nooosssaaa! Jantou AND comeu cookies depois? Não é a toa que está gorda!)

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A moça estava lá feliz, com o cookie dela, lendo um livro e incomodando ninguém, até que sente alguém a cutucando e escuta: “Você tem tanta sorte. Come o que quer e não tá nem aí. Eu sou bailarina e não posso”.

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Então a moça se sentiu humilhada. E um filme sobre sua vida e zilhões de perguntas passaram por sua cabeça, que traduzo aqui:

Será que eu conto que descobri que era gorda aos 7 anos?

Será que eu conto que comecei a ir ao nutricionista aos 12 e, desde então, conto calorias?

Será que eu conto que todos os dias enfrento uma batalha pra gostar de mim?

Será que eu conto que eu fico achando que tomei um pé na bunda porque sou gorda demais?

Será que eu conto que estar num metrô com uma caixa de cookies é um dos atos mais corajosos da minha vida?

Será que eu conto que um dos meus maiores pesadelos acaba de virar realidade?

Será que eu dou uma resposta bem escrota e conto pra ela que percebi que ela não come porque a pele dela está toda enrugada?

Eu sou escritora, inteligente – ou, ao menos, tento ser – mas, depois das 10 da noite, eu só estava cansada demais e a única coisa que respondi foi “vai se foder”.

Fica aqui a lição: não importa se é um local público. O que a outra pessoa faz com a comida dela – e sua percepção de como isso afeta o seu corpo – NÃO É UM PROBLEMA SEU.

“Você não devia comer isso, faz mal pro seu colesterol” ou “Só vai comer isso? Você tá muito magrinha” ou até mesmo “Dieta? Mas você não é gorda, por que faz dieta?”. Cara, na boa, se a pessoa não te deu liberdade para criticar sua escolha de comida, isso não é problema seu! Claro que tem sempre aquela amiga de dieta que pede pra você chamar sua atenção. Há pessoas pra isso, há grupos fechados pra isso, há níveis de relacionamento pra isso. Se não for o caso, não é problema seu!

Se você quer ser magra demais, ou se não quer ser magra at all, o problema é seu. Se você não quer ler esse blog porque “caguei pra opções mais saudáveis e incentivos pra emagrecer”, o problema é seu. A escolha é sua. “Ah, mas e a saúde?”. A americana também tem uma resposta: “eu me alimento bem, eu me exercito, e meus exames de sangue estão ótimos, mas tenho 95 quilos e nunca serei magra”. Ou seja, precisamos desconstruir nosso preconceito de que gordura é sempre sinal de doença. Pare de ser um preconceituoso feladaputa que julga a saúde dos outros por seu peso. Para isso existem médicos e exames. Combinado? Vamos desconstruir juntos nosso preconceito.