Óleo de coco: aliado ou vilão?

Bem antes de procurar ajuda de uma nutricionista, eu vivia fazendo dietas por conta própria. E isso sempre incluía o tal alimento da moda. Já tive a época da ração humana, da tapioca, da sopa e, claro, do óleo de coco. Tinha lido em alguma dessas revistas de bem-estar e saúde que era para “tomar duas colheres de sopa em jejum por dia” para emagrecer. E isso não fez sentido pra mim: isso é gordura pura, como pode emagrecer? Mas tomei. E entendi. A parada não desceu. E, quando desceu, na marra, quase vomitei. Fácil emagrecer se você vomita e fica enjoada e daí não consegue comer mais nada. Nunca mais tomei.

Em vez disso, passei a substituir óleo na culinária por óleo de coco. Tudo ficou com gosto de cocada: macarrão de cocada, feijão de cocada, arroz de cocada, cocada de cocada. Desisti de vez, e descobri a melhor função do óleo de coco: hidratante de cabelo.

Aí é assim: bezunta o cabelo com óleo de coco do meio pras pontas, prende por uns 20/30 minutos e lava normalmente, com xampu e tal. Além do cabelo ficar uma delícia (nível Kérastase), NÃO FICA CHEIRANDO A COCADA! Um milagre!

Daí que agora a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) se posicionaram sobre o óleo de coco, afirmando que “não há qualquer evidência nem mecanismo fisiológico de que o óleo de coco leve à perda de peso”. Além de não ajudar no emagrecimento, ainda pode fazer mal à saúde “devido à sua elevada concentração de ácidos graxos saturados, como ácido láurico e mirístico”.

“Ah, mais eu li outros tantos estudos que dizem que o óleo de coco faz bem”. Ok, mas não se esqueça: é gordura! E a moderação é a chave pra tudo! 😉

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A polêmica da dieta de Deborah Secco

Eu devia ter uns 20 anos e estava na Chaika (ai, que saudade!) quando a Deborah Secco senta à mesa ao lado, mesma faixa etária. Traçou uma pizza com Coca-Cola e ainda pediu um daqueles sundaes enormes de sobremesa. Eu sei que aos 20 anos a história é outra. Eu poderia comer isso todos os dias e nada de engordar. Ela, provavelmente, também.

Uns anos depois, uma personagem da Secco em uma novela (não me pergunte qual) vira e fala: “chega um momento da vida em que a gente tem de escolher entre ser magra ou ser feliz”. Até hoje uso essa frase em momentos de desespero. Não que eu acredite realmente nisso. Acho que dá pra equilibrar doses de felicidade em forma da carboidrato e açúcar com ser magra e saudável e, no fim das contas, ser feliz. Eu só não consegui ainda, mas é possível.

Lendo a entrevista à Glamour em que a atriz fala sobre a dieta, eu pensei em algumas coisas: 1. Ela nunca saiu daquela personagem e aquela frase a marcou mais do que a mim; 2. Eu perdi a chance de registrar um momento raro do jornalismo-Ego. Hoje em dia, deve ser mais difícil flagrar Secco comendo carboidratos do que nuvens lenticulares ou halos. 3. Ela mentiu descaradamente e daqui a pouco vai aparecer e dizer que “rá, pegadinha do Malandro”; 4. Ela precisa de uma intervenção. Amigos? Família? Cadê?

Vamos aos mais horripilantes momentos:

“Chama-se jejum intermitente. Foi prescrita pela minha nutricionista, a Fernanda Muller, quando eu estava com seis meses de gravidez. Você só pode comer quando tem fome”.

Eu quero dar o benefício da dúvida para essa nutricionista. Nutrição não é minha especialidade e sabemos que no Brasil o problema de compreensão de texto é realmente sério. Apenas 8% da população têm plenas condições de compreender o que está sendo dito. Então pode ser que a Deborah Secco esteja nos 92% restantes e a coitada da nutricionista não tem culpa. Afinal, falar para uma grávida “comer quando se tem fome” não necessariamente significa ficar um dia inteiro sem comer.

Isso. Um dia. Inteiro. Ou quase. Olha só o que Dedé falou:

“Quando eu chegava no estágio de fome, comia seis bifes com queijo, quatro ovos, bacon… daí só sentia fome 10 horas depois. Quando quis secar, cheguei a comer de 23 em 23 horas! É possível”.

 AMIGA, PARA! Se você precisou comer SEIS bifes, QUATRO ovos, bacon e queijo… é porque você já estava morrendo de inanição! Ou então participando de um daqueles concursos de caipiras americanos “quem comer mais cachorro-quente em 50 minutos leva o prêmio!”E eu realmente não consigo aceitar que uma nutricionista falou para uma mulher grávida que comer de 23h em 23h fosse algo bom!

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“Aí a gente fica 23 horas sem comer e depois come até a embalagem”

“E ela tem a teoria de que nada industrializado é bom. “

Ok, ponto pra nutricionista aí. Nada industrializado é bom. Fato. Essa parte parece que você entendeu, Dona Deborah.

“Coma bacon, mas tem que ser vivo. Iogurte desnatado não é vivo, não come”.

Agora eu não consigo tirar da minha mente a imagem do Babe, aquele porquinho rosa fofo do filme, gritando e tentando se livrar de Deborah Secco, que o está devorando vivo. Afinal, gente, ela está HÁ 23 HORAS SEM COMER! Não é de se espantar que ela realmente coma um animal vivo. E vocês condenando o pobre do Hilbert, que teve o bom coração de matar e cozinhar o animal antes.

“Finja-se de morto! É o jeito!”

Atualização:  Eu imagino que bacon vivo seja não processado. Mas quem inventou que usar o termo “vivo” para falar de carnes tava de boa? “Eu só como hambúrguer vivo”. Tipo, o do mc donald’s tá morto, os gourmets são vivos, é isso? Não adianta. Bacon vivo pra mim é fofo, rosa e faz oinc oinc. 

Você só pode comer quando tem fome. Essa é a regra número um. Tem que se perguntar: Eu comeria a pior comida do mundo agora? Se sim, é porque estou realmente com fome, e não com vontade de comer.” 

Voltamos à frase “chega um momento da vida em que a gente tem de escolher entre ser magra ou ser feliz” e, Debinha, uma lágrima quase escorreu aqui, você não é feliz.

“Eu como bacon todos os dias, por exemplo. Pode comer queijo e ovos. A gordura e a proteína saciam por muito mais tempo.” 

Ok, blá blá blá, ingerimos muito carboidrato pobre, a redução dele é saudável e emagrece, e aí tem a tal dieta da proteína, da moda e tal, e realmente funciona se você quer emagrecer rápido. Mas, até onde sei, e meu conhecimento de nutrição é limitado, ninguém recomenda só comer gorduras e folhas por muito tempo. E, mesmo assim, não sei se alguém que trabalhe com saúde recomende uma dieta da proteína com bacon todos os dias. “Não, não precisa ser carne magra, não! Que peixe, o quê! Pode comer bacon, linguiça, salaminho todos os dias! Com um grana padano pra acompanhar então fica ótimo!” e aí neste momento a nutricionista abre uma cervejinha e aparece com uns ovos coloridos na sua frente. Consegue imaginar a cena? Pois é. Nem eu.

“Quando estou com muita fome, com vontade de comer pizza, por exemplo, eu como brócolis, queijo e bacon.”

AMIGA, liberte-se! SEJA FELIZ! Come logo a pizza! Não é possível que queijo e bacon sejam substitutos recomendados da pizza! Eu já te vi comendo pizza! E você era magra e linda e era feliz!